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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Entrevista: Calu Fontes


Hoje é dia de entrevista com a Calu Fontes, artista apaixonada por cerâmica e que utiliza esse material pra criar azulejos artesanais e peças com ilustrações super coloridas, estampadas e repleta de grafismos. Já conhece o trabalho dela? Confere só! :)

Conta um pouquinho sobre você e sua trajetória. Como foi despertada sua paixão por ilustração e cerâmica?

Desde pequena, eu sempre amei desenhar, pintar, colar. Ganhei uma caneta nanquim por volta dos 15 anos e comecei a produzir - pra mim mesma - ilustrações, postais, pastas e cadernos cobertos com grafismos e volutas em nanquim. Fiz faculdade de Arquitetura e, paralelo ao curso, comecei a estagiar em um ateliê de cerâmica. Neste estágio, aprendi a técnica e comecei a transpor os desenhos que já fazia com nanquim e aquarela e pastel seco para a superfície da cerâmica.


Já trabalho com esse material há 20 anos e sou cada dia mais apaixonada pela cerâmica. Em 2000, abri meu primeiro ateliê: era uma casa-ateliê, onde meu trabalho começou a aparecer e a circular. Em 2007, inaugurei o Ateliê na Vila Madalena, onde produzo todas as peças. Faço este trabalho - totalmente artesanal - sozinha, sem ajuda de assistentes. Algumas peças chegam a passar por 4 queimas (forno a 800 graus)!


Como é o seu processo criativo?

Meu processo criativo é basicamente intuitivo. Com a cerâmica, não planejo como será a peça anteriormente. Geralmente, faço uma primeira queima com pintura à mão, criando uma textura, uma cor de fundo ou algum elemento gráfico. Após essa primeira queima, a peça volta pra mesa de trabalho e, sempre acompanhada de muita música, eu começo a desenhar e sobrepor decalques. Ela vai ao forno novamente e as mais trabalhadas passam por mais queimas em seguida. Pra mim, o resultado final é sempre uma descoberta. A criação ocorre durante o próprio processo de produção!


Já nas ilustrações, vejo estampas e grafismos em diversos lugares: na cidade, nos tecidos, na arquitetura, no cinema, nos livros, nas viagens… essa bagagem que carrego termina se transformando em referência na hora da criação. Já apliquei os desenhos em diversos suportes: sapatilhas (pra marca Anacapri); em roupas (pra Yogini); louças, sacolas e almofadas (pra Tok&Stok); papel de parede (pra Branco Papel de Parede), entre outros produtos e coleções.


Quais são suas maiores referências?

Penso que a natureza é a maior delas. Em meus trabalhos estão presentes elementos do mundo marinho, fauna, flora, anatomia, compondo com padronagens, mandalas, arabescos. As peças são bastante trabalhadas em toda a superfície. Na maioria das cerâmicas o verso também é ilustrado. Isso gera uma surpresa e é também uma forma de explorar a peça em sua totalidade. As formas geométricas também me atraem bastante! No início deste ano fiz uma linha de ladrilhos hidráulico para a marca Decortiles onde a geometria e as cores foram o norte de toda a coleção.


O que podemos esperar de projetos futuros? Algo novo está por vir?

Sete anos apôs a inauguração deste Ateliê da Vila Madalena, estou mudando no próximo mês para um espaço maior, no bairro Pinheiros. Acredito que esses ciclos de mudança trazem consigo novos ares e novos projetos também. Ainda não sei o que vem pela frente, mas com certeza teremos novidades para 2016!

Lindo trabalho, né? Você pode acompanhar as novidades da Calu através da fanpage e do instagram. :)

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* esse post foi publicado primeiro aqui, na minha colaboração para o blog AdoroFarm.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Varanda - Flores em Movimento

Esses dias conheci a Varanda, marca linda e delicada da Ana Attab, que cria arranjos e faz decoração floral para eventos. Ela anda circulando em sua bike turquesa pelas ruas do Rio e espalhando muita cor por aí. Sabe aqueles projetos feitos com amor? Esse definitivamente é um deles! Bati um papinho com a Ana e vim mostrar tudo pra vocês, vem ver!


Conta um pouquinho sobre você e sua história!

Eu tenho 29 anos, sou natural de Presidente Prudente (São Paulo), mas me mudei para Curitiba depois de um ano de intercâmbio na Dinamarca. Em Curitiba me formei em Psicologia e logo vim para o Rio me especializar em Psicologia Junguiana e Arteterapia e, ao mesmo tempo, terminar minha formação em Yôga. Deu pra ver que sou mil e uma utilidades né? Mas na verdade tudo isso pra mim é uma coisa só - nosso corpo, nossa mente e alma estão conectados. A arte e o yoga são formas de expressão destes!


E sua paixão por flores, como foi despertada? 

Minha amiga e fotógrafa Gabi Nehring (que faz todas as nossas fotos lindas) trabalhava com uma chef de cozinha na Antônia Bocayuva. A Maria Antônia já tinha o buffet e começou a pegar decorações de festas e a Gabi sentiu a possibilidade da parceria. Daí foi só alegria e muito trabalho. Juntas fizemos casamentos pra casais mais que especiais, trabalhamos muito na Copa do Mundo fazendo flores pra uma multinacional japonesa etc. Eu acabei me envolvendo muito mais com a parte de decoração floral, pois é algo que me encanta e me remete aos meus antepassados...


... Muita gente me conta que a minha avó tinha um incrível cuidado com seu jardim sempre florido. A mesma coisa com minha mãe, que cada vez que vou visitá-la me chama pra ajudá-la a plantar. Uma vez ficamos juntas na fazenda semeando novas flores pro jardim, sem contar as 97 mudas frutíferas que ela plantou. Somos Terra pura - inclusive, Terra é o sobrenome da minha avó que faleceu há mais de 17 anos e é super presente na minha vida, sempre peço a proteção dela, é um guia que me ilumina!).

Quais suas flores favoritas?

Essa pergunta não se faz para uma geminiana florista hahah! Eu me encanto com as flores que não são tão comuns como protéas! Amo a perfeição das Dálias, o amarelo do girassol (minha cor preferida), a delicadeza e força de uma orquídea, e a pureza das flores do campo.


Como surgiu a ideia de criar a Varanda? 

Eu sempre andava de bicicleta por aí carregando flores na cestinha. Pensei: por que não unir essas duas paixões? Fiz um curso de Design Floral, em São Paulo, e depois passei pra conversar com as meninas do "A Bela do Dia", que me deram a maior força e coragem. Alguns amigos do Coletivo Imaginário, de BH, desenvolveram minha identidade visual, uma noiva que vamos fazer o casamento em abril, a Júlia Hirszam, me ajudou com o MKT, a Gabi com a fotos e a família, amigos e namorido com a maior força e amor!


E por onde sua bike de flores deve circular? 

Pretendemos circular pela zona sul do Rio, mais especificamente em volta da Lagoa onde há ciclovias. Infelizmente, a bicicleta como mobilidade ainda é apoiada por poucos na cidade, por isso, gosto de discutir sobre esse assunto. É o meu meu de transporte e agora meu trabalho.

Você deixa a vida das pessoas mais colorida. Como está sendo a receptividade do público?

Ahhhhh essa é a melhor parte! É o que mais me encanta e me deixa feliz. Todos ficam curiosos olhando pra dento do cesto e encantados com o colorido das flores. As pessoas elogiam, suspiram e sorriem. Algumas dizem que parecem estar em outro lugar do mundo, em algum cantinho da França. Mesmo eu achando que tem total a cara do Rio; colorido, alegre e cheio de vida!


E pra quem quer trabalhar com o que ama, mas não sabe por onde começar, ela tem a dica: 'Atitude e coragem! Como diz minha mãe: 'tem que ter braço' e ser persistente. Nada é fácil e tem que lutar muito! Todo esforço vale a pena porque, afinal, você está correndo atrás do que acredita e daquilo que faz seu coração vibrar!'

Inspirador, né? Pra ficar por dentro das novidades da Varanda, é só seguir no facebook e instagram. E se quiser garantir esses arranjos lindos, aproveita que a Ana marca presença na terceira edição do GAMA, evento que produzo e acontece nesse domingo. Perde não, vem confirmar presença. :)

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* esse post foi publicado primeiro aqui, na minha colaboração para o blog AdoroFarm.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Entrevista: Durval Amorim


Se você ama o Rio de Janeiro e também ama dar umas voltinhas de bike, com certeza vai adorar o trabalho de Durval Amorim. Apaixonado pela arquitetura carioca, o designer começou a aquarelar alguns edifícios do Rio e aos poucos foi introduzindo as bicicletas nas paisagens. O resultado é a linda série que ganhou o nome de “No Rio, De Bike”. Ficou curioso para conhecer mais? Confira a entrevista! :)

Como foi despertada a sua paixão por aquarelas? 

Começou há uns dois anos. Sou Designer de Interfaces Digitais e estava sentindo falta de fazer algo mais manual, sem precisar de computador. Comecei a pesquisar e uma amiga do trabalho me sugeriu a aquarela, que eu já conhecia mas nunca tinha investido. Pesquisei alguns cursos e decidi fazer uma aula experimental, foi aí que descobri o atelier onde faço aulas até hoje.


Conta pra gente como é o seu processo criativo. Como faz pra escolher os lugares do Rio?

Eu passo dia inteiro pensando em aquarelas, principalmente quando estou na rua, quase tudo que eu vejo eu penso: “isso daria uma linda aquarela”. Tenho um board secreto no Pinterest onde vou guardando todas a ideias para próximos desenhos, mas geralmente a aquarela da semana vem a partir de um impulso – ou porque vi uma foto bacana no Instagram, ou porque estive num lugar que eu amei. Depois de escolhido o local, começo a pesquisar outros ângulos pra chegar numa composição que eu acho perfeita pro desenho. O Google Street View é uma ferramenta muito boa para essa pesquisa. No caso da série “No Rio, de Bike”, a bicicleta nunca pertence a foto que originou o desenho, eu sempre saio à procura do ciclista que vai aparecer na minha aquarela. Depois que a composição está pronta começo a pensar na paleta de cor. E quando estou em casa, gasto um tempinho escolhendo a trilha sonora, que eu acho fundamental. Quando estou no atelier com minha professora sempre ouvimos música clássica.


Como surgiu a ideia da série “No Rio, De Bike”? Qual a sua aquarela favorita?

A ideia da série nasceu quando vi uma foto de um amigo publicada no perfil do Instagram @cicloviasinvisiveis. Eles publicam fotos de pessoas com suas bikes pela cidade e defendem o direito dos ciclistas de pedalarem nas vias. As minhas aquarelas até então quase nunca tinham pessoas e eu queria muito colocar gente nos meus desenhos. Aí decidi fazer a aquarela do amigo de bicicleta e quando terminei pensei em fazer uma série pequena de bikers andando pela orla do Rio de Janeiro. Comecei a ficar animado com o resultado e decidi incluir a cidade toda, aí nasceu “No Rio, de Bike”. A minha aquarela favorita é a que eu fiz com o ciclista surfista em frente ao Copacabana Palace. Adoro a paleta de cores.


Qual seu lugar favorito do Rio de Janeiro?

Essa é uma pergunta difícil, eu AMO vários lugares dessa cidade. Tenho um carinho grande por Copacabana porque morei lá durante muito anos. Gosto muito também do centro do Rio, adoro passear pela Rio Branco vendo os prédios antigos. Curto também a praia do Flamengo que tem vários prédios sensacionais, sou fã do Edifício Biarritz, é o prédio mais lindo da cidade, eu queria morar ali. Já fiz uma aquarela da fachada dele mas vou fazer outra em breve pra incluir na série das bikes.


Você expôs pela primeira vez recentemente e foi um sucesso, né? Conta mais sobre a sua experiência com exposição e venda por lá – se desapegar delas não deve ser nada fácil!

Foi ótimo participar do GAMA, curti muito conversar com as pessoas sobre o meu trabalho e ouvir as opiniões sobre minhas aquarelas, foi um dia muito especial. Tinha muitas dúvidas se alguém iria querer comprar algum trabalho meu, e não é que acabaram comprando? :) No início tive essa questão do desapego sim, não queria me desfazer dos meus desenhos, mas quando fiz a primeira venda comecei a ver por outro lado. Achei incrível imaginar que os desenhos vão estar na parede de outras pessoas, fazendo parte de alguma forma da vida delas.


O que você diria para quem gostaria de trabalhar com arte mas não sabe por onde começar?

Eu acho fundamental pesquisar a melhor forma de se expressar, aquela com que você mais se identifica, é um processo de autoconhecimento, mas lembre-se que isso tem que caber na sua vida, no seu cotidiano, senão você não vai conseguir praticar. Pra mim o mais importante de tudo é arranjar um tempo pra praticar, a gente só aprende errando e antes de fazer algo que você realmente considera bom você vai ter que errar muito, não tem outro jeito. Encontrar um bom professor também ajuda, eu tive muita sorte, a minha professora é sensacional.


Existem outras séries que você tem em mente? O que podemos esperar de projetos futuros?
Tenho duas ideias prsa novas séries de aquarelas e já estou guardando referências, mas não desenvolvi muito. Acho que o “No Rio, de Bike” ainda vai durar um tempo, ainda tem muito lugar bacana na nossa cidade para eu pintar. O Rio de Janeiro me inspira o tempo todo. Eu amo essa cidade!


Talento puro! Pra acompanhar todas as novidades do Durval, segue lá no insta! ;)

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* esse post foi publicado primeiro aqui, na minha colaboração para o blog AdoroFarm.