quinta-feira, 31 de julho de 2008

Arrumando bagunças


- Ela parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

[Filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain]

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Cuba

"Não existem crianças sem escolas. Não andam descalças, nem pedindo esmolas. Treze vacinas protegem sua saúde. O índice de mortalidade infantil é um dos mais baixos do mundo. Todos recebem atendimento médico imediato e gratuito.Todos chegam à sexta série, e quase cem por cento, à nona série. Todas as opções de estudo estão hoje a seu alcance. Melhoram seus alimentos. Crescem sua cultura e sua arte. Nossos jovens têm estudo ou emprego garantido, ao chegar aos 16 anos. O desemprego não cresce; diminui: de seis por cento, há apenas dois anos, chegaremos a 3,5 por cento no final de 2002. Diminui visivelmente a escassez de medicamentos. Melhoram os serviços médicos e surgem outros novos. A população recebe proteção prévia e ajuda imediata em casos de desastres; os prejuízos são recuperados em tempo recorde. São distribuídos, por ano, centenas de milhares de televisores. Restauram-se e constroem-se escolas. Os meios audiovisuais e de computação são introduzidos em massa na educação escolar e geral. Nascem programas como os da formação massiva de trabalhadores sociais, Universidade para Todos, e professores emergentes, que aumentam o pessoal docente e reduzem o número de alunos por classe. Os professores de computação ministram essa disciplina desde a idade pré-escolar. O ensino universitário se multiplica, e, entre outras coisas, ajudamos a outros países, sem nenhum custo, em educação, saúde e esportes.
São infinitas as vantagens sociais e humanas de nosso sistema. Existe unidade, cultura política, coesão e força. Nada poderá sequer riscar nosso brilhante porvir. Na luta de idéias, ninguém poderá medir forças com nosso povo inteligente e cada vez mais culto (...) não haverá forma possível de dominar nossa invencível vontade de vencer ou morrer, defendendo nosso socialismo como a sociedade mais justa, humana e digna que se pode conceber. E, a cada minuto que passe, a mentira a ignorância, a incultura, as ameaças se estatelarão cada vez mais, contra o invencível espírito de nosso povo."

Discurso pronunciado por Fidel Castro, Presidente da República de Cuba e, na minha visão, um grande herói. Todos os pontos positivos mostrados no discurso se contrapõem às mazelas de um sistema burguês.

Dance with me

Venha cá pequeno estranho
Tem apenas mais uma dança
Até a música acabar
Vamos dar mais uma chance a isso
Porque voce não dança comigo?
No meu mundo da fantasia
Porque não dança comigo?

[Nouvelle Vague - Dance with me]

terça-feira, 29 de julho de 2008

Minha vida sem mim


Esta é você, na chuva. Nunca pensou que fosse fazer algo assim. Você nunca se viu como - não sei como descreveria - como uma dessas pessoas que gostam de olhar a lua ou que passam horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber que tipo de pessoas estou falando. Talvez não saiba. Seja como for, você gosta de ficar assim: lutando contra o frio, sentindo a água penetrar na sua camisa e a sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés e do cheiro. Do som da água batendo nas folhas e todas as coisas que estão nos livros que você não leu. Essa é você. Quem teria imaginado? Você.

[Filme: Minha vida sem mim]
O filme conta a história de uma mulher que descobre que vai morrer em dois meses e nesse tempo decide preparar um belo destino para sua família e fazer tudo o que sempre quis em sua vida, mas nunca teve oportunidade. Bom, bom.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

- Alô, Holden Caulfield?

"-Você sabe o que eu quero ser? - perguntei a ela. Sabe o que é que eu queria ser? Se pudesse fazer a merda da escolha?" Seja lá como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo... E eu fico na beirada de um precipicio maluco. Sabe o que eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser o apanhador no campo de centeio."

[Livro: Apanhador no campo de centeio de J.D Salinger]
O livro narra um fim-de-semana da vida de Holden Caulfield, jovem de 17 anos. É um clássico da literatura e possui um vocábulário simples e agradável.

“Bom mesmo é o livro que, quando a gente acaba de ler, fica querendo ser um grande amigo do autor, para poder telefonar para ele toda vez que der vontade. Mas isso é raro de acontecer”

Não ligaria para o autor, mas com certeza para Holden Caulfield! Só quem leu sabe o quanto deixa saudades.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Nem tudo foi feito.


Jan - Fazer revolução hoje em dia é dificil. Antes, bastavam drogas e cabelos compridos e automaticamente eramos contra o sistema. O que antes era subversivo, hoje se compra em lojas. Camisetas do Che Guevara, adesivos anarquistas.

Jule - Por isso acabaram os movimentos juvenís. Acham que tudo já foi feito. Outros tentaram e falharam. Por que daria certo conosco?

Jan - Sim, mas... De todas as revoluções que ocorreram, ficou claro que apesar de terem fracassado, as melhores ideias sobreviveram. O mesmo se passa com as revoluções pessoais. O que dá certo, o que sobrevive em nós, nos torna mais fortes.

[Filme: The Edukators]

Eu adoro voar!


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? Eu adoro voar! Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.

[Clarice Lispector]


Angel from Montgomery

Recomendo que ouçam "Angel from Montgomery", linda música de Bonnie Rait - cantora, compositora e excelente guitarrista.

"Make me an angel that flies from Montgomery / Make me a poster of an old rodeo /Just give me one thing that I can hold on to / To believe in this livin'is just a hard way to go"

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A árvore do silêncio


Se não conto meu segredo, ele é meu prisioneiro.
Se o deixo escapar, sou prisioneiro dele.
A árvore do silêncio dá os frutos da paz.

[Schopenhauer]

Poema no chão

[João Guimarães Rosa]

Sopros

De todos os modos de produção do amor, de todos os agendes de disseminação do mal sagrado, um dos mais eficazes é esse grande torvelinho de agitação que às vezes sopra sobre nós. Então a sorte está lançada, e a criatura com quem nesse momento nos comprazemos será a criatura amada. Nem mesmo é necessário que até então nos tenha agradado mais que as outras, ou tanto como as outras. O que era preciso é que nossa inclinação por ela se tornasse explusiva. E essa condição se realiza quando — no instante em que ela nos faltou — sentimos em nós não o desejo de buscar prazeres que o seu convívio nos proporciona, mas uma necessidade angustiosa, que tem por objeto essa mesma criatura, uma necessidade absurda, que as leis desse mundo tornam impossível de satisfazer e difícil de curar — a necessidade insensata e dolorosa de possuí-la.

[Proust em "No caminho de Swann"]

terça-feira, 22 de julho de 2008

Se importa se nomear "Deus"?



Ron: Do que você está fugindo, Alex?

Alex: Sabe, eu poderia fazer essa mesma pergunta pra você, Ron. Mas eu já sei a resposta.

Ron: Sabe? E qual é?

Alex: Você tem que sair daquela sua casa, Ron. Sair, viajar, fechar sua oficina e viver. O espírito da vida humana vem de novas experiências, Ron. E tudo ao nosso redor pode nos dar isso.

...

Ron: Vou sentir sua falta quando for.

Alex: Também vou sentir a sua, Ron. Mas engana-se se acha que a alegria de viver advém principalmente das relações humanas. Deus colocou-a ao nosso redor. Está em tudo. Está em tudo que possamos experimentar. As pessoas apenas precisam mudar a maneira como olham para essas coisas.

Ron: Pois é, vou ter isso em mente. Não, eu vou. Vou mesmo.
Mas queria te dizer uma coisa. Do pouco que reuni, sabe, o que me contou da tua família, da tua mãe e do teu pai. E também sei que tem os seus problemas com a igreja. Mas há um tipo de coisa superior que todos podemos apreciar, e me parece que não se importa que chame isso de "Deus". Mas, quando você perdoa, ama. E quando você ama, a luz de Deus brilha em você.

[Filme: Into the Wild]

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A caminho do mar


Faça tudo, busque o impossível. Mas, meu amigo, respeite o mar.
O sábio marinheiro sabe que ele jamais venceu uma tormenta, apenas e tão somente apenas, foi o mar que deixou ele passar.

[Amir Klink]

domingo, 20 de julho de 2008

Lugar imaginário



-Há várias coisas de uma criança normal que eu perdi.
-Há várias coisas de uma criança normal que eu gostaria de ter perdido.
-Sabe aquele momento da sua vida em que você percebe que a casa em que cresceu não é mais sua casa. De repente, apesar de ter um lugar para ficar aquela idéia de casa não existe mais.
-Ainda me sinto bem em casa.
-Quando se mudar, verá que um dia isso não existe mais. Você se sente como se não pudesse mais recuperar. É como se sentisse saudades de um lugar que nunca existiu. Talvez isso seja como um ritual de passagem, sabe? Não terá esse sentimento de novo até criar uma nova idéia de casa. Para os seus filhos, Para a sua família. É como um ciclo ou algo assim. Não sei. Mas sinto falta dessa sensação. Talvez isso seja a família. Um grupo de pessoas que sentem falta do mesmo lugar imaginário.
-Talvez...

[Filme: Garden State]

sábado, 19 de julho de 2008

A mulher banana

Não sei se você já conhecia a Mulher Melancia e a Mulher Jaca. Eu só soube da existência dessas criaturas na semana passada. São duas dançarinas de funk que ganharam notoriedade por possuir quadris avantajados (respectivamente, 121cm uma, 101cm a outra). Essa é toda a história, com começo, meio e fim.

Tem também a Mulher Rodízio, forma bem-humorada que a onipresente Preta Gil se autobatizou, justificando que ela tem carne pra todo mundo.

Pois agora vou apresentar pra vocês a grande novidade desse mercado tão nutritivo: a Mulher Banana.

A Mulher Banana, se tivesse um quadril de 120cm, correria três horas por dia numa esteira. Se isso não adiantasse, correria para uma mesa de cirurgia a fim de tirar uns cinco bifes de cada lado, porque ela considera bundão uma coisa muito vulgar. Faria isso por vaidade, pois acredita que, na prática, não faz a menor diferença para os homens se a mulher tem 90cm ou 120cm. Eu avisei que ela é banana.

Essa questão da vulgaridade quase a deixa doente. Ela não se conforma de que a rafuagem ganhe tanto espaço na imprensa, incentivando um monte de menininhas a também rebolarem no pátio da escola. Ela morre de vergonha ao ver a mãe da Mulher Melancia dizer para um repórter que sente muito orgulho de ter uma filha vitoriosa. Ela se pergunta: pelamordedeus, não existe ninguém pra avisar essa gente que eles perderam o senso do ridículo? A Mulher Banana é totalmente sem noção, coitada.

A Mulher Banana não se dá conta de que há pouco assunto para muito espaço na mídia. Não há novidade que chegue para preencher tanto conteúdo de internet, tanta matéria de revista, tanto programa de tevê, e é por isso que qualquer bizarrice vira notícia. Sem falar que, hoje em dia, tudo é cultura de massa, tudo é passível de análise para criarmos uma identidade nacional. Não, não, não pode ser!! Pode, Mulher Banana.

A Mulher Banana, como o próprio nome diz, é ingênua, inocente, tolinha. Ela acredita que o discernimento nasceu para todos e que ser elegante vale mais do que ser ordinária. É boba, mesmo. Não no mercado das mulheres hortifrutigranjeiras, minha cara. Aliás, mercado ao qual você também pertence. Banana.

A Mulher Banana ainda se choca com certas imagens, com certas fotos. Não que ela não acredite no que está bem diante do seu nariz (já sondei e não tem parentesco algum com a Velhinha de Taubaté). Ela vê, ela sabe, ela está bem informada. Só que não consegue tirar isso pra piada, não leva na boa, não passa batido: ela é tão banana que se importa!!

Aviso desde já que a Mulher Banana não tem empresário, não posa para sites eróticos, não dá entrevistas e muito menos aceita sair de dentro de um bolo gigante usando só um tapa-sexo. Ela é banana. Vai morrer sem dinheiro, só é rica em potássio. E não pense que é movida à inveja. Se fosse, invejaria a bundinha da Gisele Bündchen, que também andou à mostra esta semana e tem um tamanho bem razoável. A Mulher Banana, tadinha, ainda sonha com um padrão estético razoável e um comportamento social menos nanico. Não pode ser brasileira! Mas é, conheço-a como a mim mesma.

[Martha Medeiros]
Faço dessas palavras, as minhas.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Nunca abandonou ninguém que ainda amava?

Dan: O que faz quando não ama mais?
Alice: "Eu não te amo mais, adeus!"
Dan: E se você ainda ama?
Alice: Não vai.
Dan: Nunca abandonou ninguém que ainda amava?
Alice: Não!

[Filme: Closer]

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Coisas simples da vida

Não é que o mundo seja só ruim e triste. É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais. Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito. Só os poetas o fazem.

[Rita Apoena]

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Não importa quem inventou a arma e sim quem puxa o gatilho


- Atinja um, eduque cem. A noticia corre, outros podem nos imitar. Somos só o pavio. Achamos mais original ter uma causa, mudar o mundo. Vivemos numa ditadura do capital. O primeiro mundo deveria perdoar a dívida do terceiro mundo; é só 0,01% do nosso PIB! -Vocês os querem pobres! Para poder controlá-los, força-los a vender seus produtos a preços ridículos. É a regra básica do sistema: exaurir todos até o limite para que não possam reagir. Acha que as pessoas são felizes, Hardenberg? Ei, abra os olhos! Saia do seu carro e a ande pelas ruas! Elas parecem felizes ou animais assustados? Veja suas salas de estar, todas grudadas na tv, ouvindo zumbis chiques falarem sobre uma felicidade perdida. Dirija pela cidade. Verá a imundice, a superpopulação, as massas feito robôs nas escadas rolantes das lojas de departamentos. Ninguém conhece ninguém. Acham que a felicidade está ao alcance mas ela é inalcançável. Somos só os precursores. Enquanto você surfa na tecnologia, outros sentem ódio. Como as crianças das favelas vendo filmes de ação americanos. É só o começo. Haverá mais. Mais casos de insanidade. Serial killers, almas destruídas, violência gratuita. Não pode sedar todo mundo com game shows e shoppings e os antidepressivos não vão funcionar para sempre. O povo está cansado da merda do seu sistema! -Não importa quem inventou a arma e sim quem puxa o gatilho.
Diálogo de três jovens revolucionários - Jan, Peter e Jule - com Hardenberg, um milionário empresário.
[Filme: The Edukators]

Furta-íris

tudo que passa
azul
tudo que morre
cinzas
tudo que ama
inflama
cada qual seu tom

tudo que guia
amarelo
tudo que é fada
branca
tudo o que é novo
verde
madura é a solidão

-tudo que sei?
mero daltonismo da razão

[Alex Topini]